Poema inédito de Beatriz Aquino
Vou ao teu encontro
Vou ao teu encontro.
Sobrevoo a costa Inglesa.
O avião trepida, luta contra as nuvens.
E eu penso que não seria de todo mal morrer no azul desse oceano.
Seria então como mergulhar nos teus olhos.
Teus olhos que me esperam pacíficos e ternos.
Abaixo dos meus pés, esse mar que esconde o silêncio.
E o segredo de outros mundos. Mais antigos e mais vastos que o nosso.
As nuvens agora mudam de formato.
São como fadas dispersas a abençoar a tua terra.
Do lado esquerdo, mais distante, a Cornualha repuousa calma e solícita.
A espera quem sabe de olhos que a cortejem.
Me espere, meu bem.
Logo chego.
Nossos pés haverão de pisar uníssonos e sólidos
na areia de uma mesma praia.
Nosso horizonte será um só.
Cantaremos salmos para os amores perdidos.
Lhes pediremos calma e resiliência.
Pois que amar é construir pontes com os olhos.
E isso é bem bonito.