Quando perguntados sobre qual o maior obstáculo que o Médio Oriente enfrentava, 50% dos inquiridos disse ser a ascensão do Daesh (auto-intitulado Estado Islâmico), seguindo-se 38% que afirmavam ser a ameaça do terrorismo e 36% o desemprego.
50% dos inquiridos disse estar “muito preocupado” com a possível ascensão do Daesh, 22% disse que não se preocupava e 1% não sabia.
Quando a afirmação é “Se o Daesh não usasse tanta violência, eu ver-me-ia a apoiá-los”, 78% estão contra, 13% a favor e 9% não sabem ou não têm a certeza. Perante a frase “O Daesh vai acabar por estabelecer um Estado Islâmico no mundo árabe”, 76% dos inquiridos não concordam, 15% concordam e 9% não o sabem, diz a sondagem citada pelo jornal britânico The Guardian.
Daesh, sunitas e xiitas
Uma das questões colocadas foi “Quais as principais razões pelas quais jovens são atraídos para a organização terrorista”. À frente ficou a falta de empregos e de oportunidades com 24%, seguindo-se a crença de que a interpretação do Islão por eles defendida é melhor do que as outras (18%) e 17% alega que é por causa das tensões religiosas entre os sunitas e xiitas na região. 25% dos inquiridos respondeu que não sabia explicar, acrescentando que não entendiam porque é que alguém quereria juntar-se aos terroristas islâmicos.
Sobre as relações entre sunitas e xiitas na região árabe, e comparando com a situação há cinco anos atrás, 47% dos entrevistados acredita que piorou, 24% afirmam que nada mudou e 18% acreditam que houve melhorias.
Quando o tópico é a divisão entre ambas as correntes religiosas islâmicas, 72% acreditam que essa discórdia tem um impacto negativo muito significativo que se traduz nos problemas que a região enfrenta. 17% diz que essa divisão não agrava os conflitos na região e 11% diz não saber.
Questionados sobre se a religião tem um papel demasiado importante no Médio Oriente, 52% dos entrevistados concorda, 29% discorda e 19% não tem a certeza.
Desemprego é grande preocupação dos jovens árabes
Ao ser-lhes apresentada a afirmação “existem boas oportunidades de emprego na área em que vivo, 37% dos inquiridos concorda mas 44% discorda; 19% não sabem.
De acordo com o The Guardian, um em cada quatro jovens (entre os 15 e os 24 anos) não tem trabalho, correspondendo a uma das mais altas taxas de desemprego jovem no planeta, citando dados do Banco Mundial.
A Organização Internacional do Trabalho acredita que mais de 75 milhões de jovens árabes não têm um emprego.
39% dos inquiridos acredita que o conflito armado na Síria é uma guerra travada por poderes regionais e globais, 29% acredita que se trata de uma revolução contra o regime de Bashar Al-Assad (presidente do país) e 22% diz tratar-se de uma guerra civil síria.
No tópico que abordava o acordo internacional nuclear que acabou com as sanções ao Irão, metade concorda com o mesmo. Sobre as percepções que os árabes têm em relação aos EUA, 63% consideram o país um aliado e 32% um inimigo.
A sondagem foi feita pela firma Penn Schoen Berland para a ASDA’A Burson-Marsteller, uma empresa do Médio Oriente e Norte de África especializada em várias áreas, entre as quais, Marketing do Consumidor, Comunicação Empresarial e Relações Públicas.
As entrevistas foram feitas na Argélia, Bahrein, Egipto, Emiratos Árabes Unidos, Iraque, Iémen, Jordânia, Koweit, Líbano, Líbia, Marrocos, Omã, Palestina, Qatar, Arábia Saudita e Tunísia.