Estado melhor e maior?
O chefe – Está bom? Como tem passado? A mulher e os filhos?
O operacional – Tudo bem, graças a Deus.O chefe – Deus ajuda sempre os que merecem.
O operacional – Obrigado, senhor Chefe. Mas eu ando um bocado preocupado.O chefe – Oh Diabo! Com quê?
O operacional – Isto de se exigir muita coisa ao governo. Não é demais?O chefe – Porquê?
O operacional – Sempre me ensinaram que o Estado não presta, que a iniciativa privada é que funciona. Que o Estado é incompetente e corrupto, que são meia dúzia de chulos…O chefe – Caro jovem, agora tínhamos que os pôr à rasca. Demonstrar que eles nem sabem organizar esse Estado de que tanto gostam. Depois, logo se vê.
O operacional – Mas eles vão gastar milhares de Euros que deviam ser nossos!O chefe – Tudo tem um lado bom. Esses milhares já não vão para os salários e pensões que os comunistas e esquerdistas passam a vida a pedir.
O operacional – Mas a gente também não aproveita!O chefe – Não tenha pressa, nestas coisas é preciso paciência.
O operacional – Tenho ouvido isso desde pequenino. Assim, não passo da cepa torta.O chefe – A luta continua. Agora, é manifestações pacíficas. Insistir no número de mortos, na destruição do país, nos crimes do governo… sempre com muitos números, para meter medo.
O operacional – Mas já houve pancada. Pode haver mortes.O chefe – Se houver mortes, a culpa não é nossa. Denunciamos esses bandidos. Dizemos que eles andaram a pôr os fogos na floresta. E o povo fica do nosso lado.
O operacional – Bela ideia. Que Deus o oiça.O chefe – Não tenha dúvidas que sou protegido por Deus. Tenha saúde, e muita calma.