“PS preocupado com campanhas de desinformação nas eleições” titula o ‘Público’, a toda a largura da sua primeira página (suspeitamos que se mais largura houvesse…).
O desenvolvimento, nas páginas interiores (ilustrado com uma foto muito prafrentex do deputado socialista José Magalhães) pratica uma completa amálgama entre coisas tão diversas como cibersegurança e manipulação, redes sociais e desinformação, as inevitáveis fake news e… sabe-se lá que conspirações mais.

Poder-se-ia argumentar que a manipulação (que como o nome indica é “manual” e não “digital”…) é velha como o mundo e que já a Bíblia (que um tristemente famoso juiz tanto precisa de citar…) nos oferece vários casos exemplares. Ou que a prática corrente da “dezinformatsiya” é várias guerras anterior às recentes (e insípidas) “fake news”. Ou que redes sociais e cibersegurança têm tanto que ver entre si como o rabo e as calças. Ou que… mas não vale a pena.
Basta dizer que, depois das últimas presidenciais nos EUA, se gerou à volta de alguns factos e outros argumentos uma confusão monumental que em nada ajuda a esclarecer coisa alguma e, pelo contrário, só ajuda à criação de uma situação caótica geradora de desconfiança no sistema político-eleitoral e na própria democracia.
Foi, aliás, nesse quadro que Trump criou o neologismo “fake news” para se referir a velhas práticas nos media tradicionais e a notícias que o atacavam.

Amalgamar “conteúdos” com “continentes” e acrescentar-lhe ainda mais umas questões de segurança da informação só pode dar maus resultados… Tão maus que, ao serem geradores de desconfiança nos resultados dos sistemas político-eleitorais democráticos, ultrapassam as mais loucas esperanças que poderia acalentar qualquer teoria da conspiração “made in Russia” ou “made in China”.
Ameaças e riscos existem, um desenvolvimento tecnológico adoptado sem preocupações da necessária segurança criou um ambiente de medo (as facilidades no desvio dos emails da Clinton são assustadoras…), a própria NSA se revelou, a dada altura, tão capaz de guardar os seus segredos como um vulgar passador, tudo isto pode e deve ser tratado e debatido mas é conveniente que o seja com… algum conhecimento das matérias em questão, começando pelo esclarecimento dos conceitos.
Exclusivo Tornado / IntelNomics
