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Quarta-feira, Julho 17, 2024

Bolsonaro ataca o ensino de filosofia e ciências humanas

José Carlos Ruy, em São Paulo
José Carlos Ruy, em São Paulo
Jornalista e escritor.

O anúncio feito pelo capitão presidente repete ação semelhante à da ditadura de 1964.

Repetindo mais uma vez a ditadura de 1964, o governo de Jair Bolsonaro e o responsável pela educação, ministro Abraham Weintraub (um banqueiro de pensamento de direita) se empenham em criar dificuldades para os cursos de filosofia, sociologia e demais matérias das áreas de humanas, a pretexto de apoiar o ensino técnico para, em sua opinião arrevezada, valorizar a mão de obra – e a formação de pessoas dóceis e obedientes.

Isto é, pretendem formar trabalhadores treinados para desempenhar tarefas técnicas e obedecer, e não para pensar de maneira autônoma, com sua própria cabeça. 

Este é o sentido do anúncio feito na manhã desta sexta-feira (26) pelo capitão-presidente, registrado no artigo de Renata Cafardo intitulado “Bolsonaro diz que MEC estuda tirar dinheiro de áreas de humanas” (O Estado de S. Paulo, 26/04/2019).

Bolsonaro e Abraham Weintraub querem limitar o conhecimento dos estudantes

Bolsonaro disse que o governo vai “descentralizar” recursos para áreas de humanas, como filosofia e sociologia, nas universidades. Ameaça cortar os recursos que o Ministério da Educação (MEC) envia sobretudo para mais de 60 universidades federais no país. Bolsonaro diz que o objetivo é “focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte”, como veterinária, engenharia e medicina. É função do governo, disse, ensinar aos jovens “a leitura, escrita e a fazer conta e depois um ofício que gere renda para a pessoa e bem-estar para a família, que melhore a sociedade em sua volta”.

O argumento de Weintraub contra o investimento nas áreas de humanas é estropiado, e típico daqueles que desprezam a formação humanista que, pensam, precisa ser trocada pela formação técnica. O filho de um agricultor, diz ele, deveria estudar áreas como veterinária e medicina, em vez de antropologia. “Precisamos escolher melhor nossas prioridades”. 

A política que o governo preconiza vai afetar professores e pesquisadores que poderão sofrer corte de bolsas, por exemplo, já que a maioria delas é controlada pelo MEC.

Esta política faz parte daquilo que Weintraub chama de combate ao “marximo cultural” nas universidades, que – ameaça – vai levar em breve ao anúncio de medidas mais “agressivas”.

É típico do fascismo interferir contra a liberdade de ensino e a autonomia universitária. O governo de Hitler, na década de 1930, foi pródigo nessa interferência para impor o que chamava de “ciências raciais” (Rassenkunde): a física, química, biologia ou matemática “alemãs”. O resultado foi um severo declínio no número de estudantes universitários e na própria ciência na Alemanha. Este é o caminho indicado por Weintraub em seu combate ao “marxismo cultural”, que leva ao cerceamento da liberdade acadêmica, de ensino e de pensamento nas universidades brasileiras. 


Texto em português do Brasil


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