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João de Sousa

Sexta-feira, Abril 4, 2025

A economia e, as alterações da organização social e o neoliberalismo

A economia não é mais do que a aplicação do conhecimento adstrito à gestão dos recursos, sua exploração, transformação, armazenamento e consumo porque só se produz aquilo de que as pessoas necessitam.

Embora, seja razoável ter em atenção o quociente de conhecimento disponível no tempo, do tempo, e para o tempo em apreço.

Não é do domínio da economia encontrar soluções para a gestão dos mecanismos reguladores dos trâmites de bens e dos serviços e outras formas de articulação necessárias ao equilíbrio e sustentabilidade das sociedades e do meio porque essa é uma função política mas, cabe-lhe, desenhar todos os procedimentos sequentes de forma a harmonizar-lhes a relação.

O que, diga-se, no atual contexto, não é uma tarefa fácil tendo em atenção as alterações decorrentes não só da correlação de forças existentes em todos os domínios como das implicações que essas alterações tem nos procedimentos interativos em um universo global onde o mundo nos aparece como sendo um conjunto de pequenas aldeias onde ainda prevalecem identidades distintas nos hábitos, usos e costumes e, dialetos.

Importa por isso ter em  atenção que as novas formas de organização social e territorial futuras exigem das atividades económicas novas perspetivas para olharem o futuro de forma diferente onde a economia interativa emergente dessas alterações da organização social terá como suportes estruturais: o lazer e um novo conceito de organização laboral de menor dimensão em área ocupada mas de maior dimensão produtiva o que implica maior e mais equitativa distribuição da riqueza líquida produzida deduzidos os encargos fiscais e sociais.

É esta evidência que o neoliberalismo tenta esconder: – por omissão;

  • ignorância;
  • iliteracia;
  • ou outra qualquer fórmula aplicável e assim travar a evolução lógica na  organização social;

Tudo o resto é puro populismo que funciona junto do eleitorado mas não funciona na economia que exige formação e formatação apuradas, o que implica educação seletiva elevada.

Um ciclo sem retorno Histórico.

Não é por acaso que o conceito 4.0 é introduzido na equação para o tecido empresarial uma vez que o anterior conceito 3.0 foi implementado com facilidade por conveniência dos agentes envolvidos que avançaram para a certificação, cumpridos todos os requisitos, de forma a que todas as variáveis da economia possuam o nowal determinado como desígnios europeus para o seu espaço territorial mas também intercontinental com a informática a substituir o papel e a agilizar o transporte de toda a informação necessária a todo um processo em que a máquina possa substituir parte relevante da mão-de-obra até então fornecida pelo Ser Humano.

Neste complexo puzzle faltava regular o aproveitamento dos excedentes de todo o sistema produtivo e de transformação.

É neste contexto que a economia circular surge uma vez que  nada tem a ver com o circuito económico da solução económica encontrada para a  reciclagem que muitos apregoam e confundem com esta diretriz europeia.

A questão de fundo que neste ciclo de inovação tecnológica se coloca é que, a mente Humana não acompanha em celeridade aquilo que a máquina consegue:

  • na máquina basta a reprogramação;
  • na mente Humana não há reprogramação possível;

Uma contradição incontornável no sujeito.

Importa por isso, em linguagem cientifica associada à inovação, retardar os processos.

Que foi o que fizeram as grandes transnacionais e os seu quadros científicos a partir da década de noventa, virar de século, acelerando a partir dos anos 2000, ao terem a perceção de que, as gerações Humanas em exercício de atividade, nomeadamente a docente, não tinha a formação adequada mas também, ao aumentar desmesuradamente a produção robotizada o desemprego subia exponencialmente, e que, perante essa nova realidade social e económica estavam a cavar a sua própria “sepultura”.

E que, por isso, pararam o processo de inovação tecnológica em curso.

A que acresce, sobremaneira, a impreparação de toda a classe politica que foi apanhada de surpresa e por isso, não encontrou ainda soluções politicas de futuro para as civilizações.

Até aqui tudo estava sobre controlo.

O problema foi que o mundo académico viu neste recuo das empresas de tecnologia de ponta uma oportunidade de negócio para vender cursos sem sequer se preocupar se os seus formandos teriam ou não emprego e se eram esses profissionais que o mercado de trabalho carecia.

Temos por isso a geração mais bem preparada de sempre à procura de empregos compatíveis e uma classe politica sem pensadores que lhes acautelem o futuro associada a uma comunidade científica virada para fórmulas de sobrevivência de todos os ecossistemas aonde o Homem tenha a sua sobrevivência assegurada.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90

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