Quinzenal
Director

Independente
João de Sousa

Quinta-feira, Abril 3, 2025

Buscamos no outro o efeito da nossa atitude

Vitor Burity da Silva
Vitor Burity da Silva
Professor Doutor Catedrático, Ph.D em Filosofia das Ciências Políticas Pós-Doutorado em Filosofia, Sociologia e Literatura (UR) Pós-Doutorado em Ciências da Educação e Psicologia (PT) Investigador - Universidade de Évora Membro associação portuguesa de Filosofia Membro da associação portuguesa de Escritores

Agimos sempre a seguir a uma resposta. Ou de forma positiva ou de forma negativa. A felicidade da nossa acção está no efeito da nossa realização. Bem. Mal.

Buscamos no outro o efeito da nossa atitude. Dos nossos actos. Da nossa postura. Quantas são as vezes em que, logo a seguir a algo que tenhamos feito, perguntamos sempre a alguém:

“gostaste da minha entrevista de ontem?”

Sentir a realização de um feito nosso na sensação do outro, obra nossa que terá mais realização sentindo que o efeito no outro agradou. Daí perguntarmos:

“estive bem?”

Agimos sempre a seguir a uma resposta. Ou de forma positiva ou de forma negativa. A felicidade da nossa acção está no efeito da nossa realização. Bem. Mal.

Um materialismo nas nossas acções? Sim. Um feito busca uma reacção, algo que nos alimentará, contentes quando a resposta é positiva avaliada pelo nosso eu, esse, acima de qualquer outra:

“estou feliz, sabes?, ontem quase toda a gente me felicitou!”

Por ter falado muito bem sobre a vida dos bairros sociais, dos bares escuros ou das avenidas que vamos alcatroar.

Eu busco o contrário ou coisa nenhuma. A minha almavive longe dos holofotes e que m digam nada faz-me bem. Não respiro o pulmão dos outros, sinto o calor na minha própria pele.

Detesto a futilidade. Os sons do vazio. O grito dos outros. A felicidade dos outros é apenas vizinha da minha existência, que estejam todos bem e felizes, verdade, pois, se respirasse o teu cansaço estaria esgotado sem me ter esforçado sequer ou o contrário, o meu Ferrari é a minha loucura pintada de quadradinhos que crio para me sentir no meu rio, e tenho rio nenhum mas recrio-o nas páginas dos meus sonhos. Adoro sonhar sem dissimular a vida. Pinto com os pinceis que quiser o meu caminho ou percurso.

“sinto-me bem assim, penso eu escondido nesta casa fechada de vidros que brilham aos meus sorrisos”

O jornal jorra lágrimas, reinventam-se alegrias e as melodias mais belas desfilam o sono interior dos calados de boca aberta

“que lindo!”

Ela puxa a saia e eu fico marado

Desce a sola sozinha quando eu toco nela

Ai menina, deixa que eu seja o teu bem

Pois não estar desconectado!

As cortinas fecham-se. O espectáculo termina. Já é noite.


Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a Newsletter do Jornal Tornado. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

 

Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a nossa Newsletter. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

- Publicidade -

Outros artigos

- Publicidade -

Últimas notícias

Mais lidos

- Publicidade -