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João de Sousa

Sábado, Abril 5, 2025

O Cidadão, as Obras e o Funcionário

Rui Amaral
Rui Amaral
Gestor de Empresas

O piso é melhorado, os passeios ficam mais bonitos, novas árvores (que dentro de alguns anos darão sombra) substituem (não se sabe porquê) as velhas (que já davam sombra), etc.

Rui AmaralNo geral e apesar destas contradições está satisfeito com o resultado que se vai adivinhando. O candeeiro colocado a meio da porta da sua garagem, impedindo a utilização da mesma, é tomado por um descuido de quem planeou e falta de maleabilidade de quem executou.

Nada de grave, pensou.

Dirigiu-se aos serviços competentes, onde é atendido por um Sr. Engenheiro Civil, a quem explica a sua questão. Ficando claro que não havia qualquer intenção de pôr em causa a autoridade do Sr. Engenheiro Civil este fez o favor de mandar corrigir a situação, tendo sido dada outra localização ao referido candeeiro.

Com a continuação da obra o cidadão português verificou que o lancil que estava a ser colocado em frente à sua garagem não era o adequado para estes casos. Era um normal lancil paralelepípedo o que cria dificuldades à entrada e saída de viaturas.

Julgando tratar-se de falta de atenção do empreiteiro questionou-o sobre a situação. Este mostrou-lhe as plantas da obra onde não constava a colocação dum lancil próprio mas sim dum normal.

Claro que percebia que se tratava duma situação anómala mas tinha que executar o que lhe fora encomendado sem qualquer alteração.

Lá foi o cidadão português, uma vez mais, ter com o Sr. Engenheiro Civil a quem apresentou a situação tendo o cuidado de, em momento algum, questionar a sua autoridade.

O Sr. Engenheiro Civil ouviu atentamente o cidadão português, e do alto do seu cargo, explicou que o empreiteiro tinha que cumprir o que lhe fora encomendado. Terminado o trabalho o cidadão português teria de formular um pedido de alteração para se proceder à substituição do dito lancil.

O cidadão português, cansado de lhe virem ao bolso, ainda tentou sensibilizar o Sr. Engenheiro Civil para o custo de colocar, retirar e colocar novo lancil. A este custo havia que adicionar o custo do tratamento do pedido de alteração: entrada, análise, informação, decisão e operacionalização do mesmo. Não seria melhor emendar já a situação uma vez que ainda se estava a tempo de o fazer? Não se pouparia dinheiro ao erário público?

Nada feito!

reforma-casa

 

Trata-se duma história verídica e actual.
Ilustra o que acontece diariamente, tem várias explicações e nenhuma justificação.
São regras desadequadas que não existem para resolver situações mas sim para as complicar.
São profissionais que não sabem interpretar as regras.
São pequenos funcionários que acham que os cidadãos existem para os servir.
É a importância de se poder dizer “é assim porque quem manda sou eu”.

É incompetência.

 

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