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Terça-feira, Julho 16, 2024

Conhecer e perceber a cultura russa

José Mateus
José Mateus
Analista e conferencista de Geo-estratégia e Inteligência Económica

Comprei, há anos, umas calças e um blusão russos. Para ver e sentir como seria vestir a normal ‘farpela’ de um russo de Kazan, Moscovo ou Vladivostoque. Andei meses para ‘incorporar’ a sua lógica de organização, tanto das calças como do blusão, e ainda hoje, quando os visto, preciso de uns segundos (ou mesmo mais…) para conseguir descobrir onde guardei os óculos de sol, em que sítio está a caneta ou onde pára a carteira… Roupa bem pensada e eficiente, mas ‘matrizada’ de forma completamente diferente da que podemos adquirir na Europa ou nos USA.

Isto, esta dificuldade de entendimento com uma simples roupa de uso corrente, ilustra bem como a cultura russa é diferente da euro-americana e como o lidar com ela não é coisa óbvia e requer estudo e conhecimento.

Tempos depois, em Paris, conheci a C. que era russa (embora se tivesse fixado em França muitos anos antes) e trabalhava como ‘assistente’ do CEO de uma grande empresa que era minha cliente. Pouco depois, o CEO, durante um almoço de trabalho, perguntou-me o que eu pensava dela. “É – respondi-lhe – o retrato de um tanque T-34, vai tudo à frente”. O T-34 não é uma tecnologia recente, data da II Guerra, mas foi nele que a C. me fez pensar quando a vi a trabalhar.

Russian Butt Slap Competition

Recentemente, foi inventado na Rússia um novo “desporto” que vale bem a pena observar com atenção, vendo para além das (belas) aparências, e reflectir sobre ele… Sobre as suas regras e os seus objectivos e o que nos podem dizer da “alma” russa.

Explicação deste recentíssimo “desporto” russo pelo inglês Daily Star.

Numa perspectiva mais histórica e literária, mas com muito século XX pelo meio e muitos mergulhos na ‘alma’ russa, veja-se o escritor muito apreciado pelo conde Alexandre de Marenches, Vladimir Volkoff.

Como refere a Wiki, “With Le Montage (“The Set Up”; winner of the Grand Prix du roman de l’Académie française, 1982) Volkoff illustrated the methods and networks of tricks and traps of Soviet “disinformation” in Europe; the idea of this novel could have come from Alexandre de Marenches, director of the SDECE (now DGSE), who may have provided the factual basis for its plot.”

O conhecimento não supõe qualquer justificação e muito menos uma aceitação. É apenas imprescindível. Cinco séculos antes de Cristo, um clássico asiático deixou isso gravado em lâminas de bambu atadas com fios de seda: “Conhece o teu inimigo e conhece-te a ti mesmo e vencerás mil batalhas sem perigo”.

Vídeo do novo “desporto” russo no Youtube:

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