Os serviços secretos alemães obtiveram documentos roubados na Síria que revelam informações sobre o Daesh (o auto-intitulado Estado Islâmico). Revela o The Guardian que, no total, são 22 mil documentos, fornecidos por um dissidente que resolveu fugir da organização terrorista. São questionários para cada aspirante a recruta, onde, entre outras informações, é perguntado aos aspirantes a membros o nome, a data e lugar de nascimento, os contactos telefónicos, o tipo sanguíneo e o nível escolar.
O ministro do Interior germânico, Thomas de Maizière, confirmou a veracidade dos documentos e afirmou que estes facilitariam “investigações mais rápidas e claras e sentenças de prisão mais estritas”, e não só: vão ajudar a clarificar “as estruturas subjacentes à organização terrorista”, frisou.
Um porta-voz da polícia federal alemã, citado pelo The Guardian, confirmou que estavam na posse de tais documentos, sem contudo revelar como tiveram acesso aos mesmos nem quantos nomes tinham sido encontrados. A CNN revelou ainda outras perguntas constantes em tais questionários: se o candidato prefere ser um bombista-suicida ou um combatente, quantos países visitou, o estado civil, o “nível de Sharia” (nível de conhecimentos sobre a lei islâmica), a experiência na jihad e o grau de obediência.
Dentre as 51 nacionalidades constantes nos documentos, foram já identificados doze britânicos e “uma mão-cheia de americanos” como membros do Daesh. Dos membros com nacionalidade do Reino Unido, alguns foram dados como desaparecidos, outros foram mortos em ataques conduzidos pelos EUA.
Os documentos terão sido obtidos pelas autoridades germânicas em finais de 2013; para além dos cidadãos britânicos, constarão da listagem quatro combatentes dos EUA e seis do Canadá, para além de um número indeterminado de alemães, franceses, sauditas, tunisinos, marroquinos e egípcios, de acordo com Zaman al-Wasl, um site noticioso sírio favorável à oposição ao regime de Bashar Al-Assad.
Os serviços secretos britânicos suspeitam que 700 ingleses tenham aderido à organização terrorista. Até agora, não consta que existam portugueses em tais listagens.
O jornal Süddeutsche Zeitung e as estações televisivas WDR e NDR foram os primeiros a revelar a existência destes documentos, seguindo-se a britânica Sky News, que alegou possuir cópias dos mesmos.