O regulador bancário alemão arquivou o processo de investigação que decorria visando o Deutsche Bank, depois de terem sido levantadas suspeitas sobre fixação de preços na transacção de metais preciosos. A agência Reuters conta ainda que o Bafin (supervisor alemão) pôs ainda fim a uma auditoria especial num caso de negócio com derivativos com a instituição italiana Monte dei Paschi, mas não deu mais informações sobre a decisão.
Num comunicado, o Deutsche Bank afirma que o Bafin “não vê a necessidade de agir mais contra o banco ou os seus membros, anteriores e actuais, do conselho de administração, no que respeita a auditorias especiais”. Com esta acção, o Bafin acabou por excluir alegações contra o banco alemão, na pessoa de um dos altos executivos, Anshu Jain, que teria enganado reguladores durante investigações visando manipulação de taxas de juro.
A Reuters tinha revelado em Dezembro que o Bafin não encontrara indícios de que Jain saberia ou tomaria parte de possíveis tentativas por parte da credora alemã para influenciar as taxas.
Os reguladores bancários acusaram algumas das maiores instituições financeiras do mundo de conspiração e fraude de forma a influenciar os mercados, e houve mesmo a demissão de alguns executivos de topo como consequência de tais suspeições.
O Deutsche Bank ainda está a examinar se vai mover processos judiciais contra terceiros. Além disso, o Bafin continua a procurar o rasto de dez biliões de dólares respeitantes a negócios suspeitos feitos por clientes do banco, através da sucursal em Moscovo, o que terá permitido a esses clientes transferir dinheiro de um país para o outro sem alertar as autoridades em 2014.
John Cryan, Chefe Executivo do banco, defendeu que “tomámos muitas medidas para melhorar o controlo e procedimentos e para reforçar a gestão”, acrescentando que se ia empenhar pessoalmente para que a entidade bancária pusesse um termo aos seus incómodos legais.
Recorde-se que em Abril do ano passado, o Deutsche Bank concordou pagar 2,5 biliões de dólares para encerrar as investigações sobre alegadas alterações em taxas de juro de referência usadas para empréstimos e contratos pelo mundo. As autoridades também deram ordens ao banco para demitir empregados e acusaram a entidade de obstruir a acção dos reguladores.
O banco também era suspeito de participar na adulteração dos preços do ouro, prata, platina e paládio nos mercados, uma vez que em 2014 decidiu retirar força aos negócios de metais preciosos.
A par destas investigações, as autoridades italianas em Milão também visaram a Banca Monte dei Paschi di Siena (braço do Deutsche Bank) e os procuradores exigiram o julgamento dos gestores da entidade bancária por acusações de crimes financeiros, incluindo contabilidade falsa.