A tradição clássica encontra a espontaneidade do jazz e da música popular brasileira (MPB) no virtuosismo da pianista brasileira Eliane Elias, que nasceu na Bahia e reside em Nova Iorque. Fundadora dos Steps Ahead, Eliane tem consistentemente explorado fluxos musicais distintos através de suas gravações e espetáculos desde meados dos anos 80. Em 1993, tornou-se uma das primeiras artistas a lançar simultaneamente discos de música jazz e clássica. Apesar de ter iniciado a sua carreira nos anos 80, apenas em 2016 e 2017 recebeu 2 Grammys para melhor disco de jazz latino, sendo hoje reconhecida como uma grande estrela da constelação jazz.
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Eliane terá herdado algum do seu talento musical de sua mãe, Lucy, uma pianista clássica que costumava tocar em casa discos de jazz. Depois de estudar durante 6 anos no Centro Livre de Aprendizagem Musical em São Paulo, Elaine estudou piano clássico com Amilton Godoy e Amaral Vieira. Logo na adolescência, Eliane compunha as suas próprias peças e tocava em clubes de jazz. Em 1981, na sua primeira tournée europeia, conheceu o baixista de jazz Eddie Gomez, que a convenceu a ir viver para Nova Iorque. Elaine chegou à Big Apple no ano seguinte e foi estudar na Juilliard School of Music com Olegna Fuschi. Pouco tempo depois foi convidada para integrar a formação inicial dos Steps Ahead, um supergrupo de jazz com Michael Brecker, Peter Erskine, Mike Manieri e Eddie Gomez, com quem gravou um disco em 1983.
A sua passagem pelos Steps Ahead deu um forte impulso à sua carreira. Após abandonar o grupo, Elaine começou a colaborar com o trompetista Randy Brecker, com quem se casou e de quem teve uma filha, Amanda. Pouco tempo depois o casal separou-se, mas já em 1985 tinham gravado um álbum duplo, que recebeu o nome da sua filha. No ano seguinte, Eliane iniciou sua carreira como líder de banda, efetuando tournées com dois trios alternativos: um com o baterista Jack DeJohnette e o baixista Eddie Gomez, o outro com o baterista Peter Erskine e o baixista Marc Johnson, seu marido. Pontualmente Eliane adotou um terceiro trio, com Marc Johnson no baixo e Satoshi Takeishi na bateria.
Em 1989 assinou contrato com a Blue Note e lançou o disco “So Far So Close”, onde pontuaram os irmãos Brecker, Eumir Deodato, Peter Erskine, Don Alias e outros músicos de renome. Em 1990, com o seu disco “Eliane Elias Plays Jobim”, introduziu a voz nos seus trabalhos, cantando e tocando piano. Uma voz grave e suave, que não mais deixou de estar presente na sua obra. O ano de 1995 foi particularmente produtivo para Eliane, pois para além de lançar o disco “Solos and Duets”, com a participação de Herbie Hancock, trabalhou no “The Brasil Project” de Toots Thielemans e pontuou como diretora musical do grupo de Gilberto Gil.
No resto dos anos 90 Eliane foi continuando a gravar e a atuar, mas em 2000 teve um novo impulso na sua carreira, atuando com o maestro e trombonista Bob Brookmeyer, à frente da Danish Radio Jazz Orchestra. Em 2002 Elaine deixa a Blue Note e assina pela Bluebird Records, onde lança três discos: “Kissed by Nature” (2002), o excelente “Dreamer” (2004) e “Around the City” (2006). Em 2007 regressa à Blue Note e lança “Something for You: Elaine Elias Sings & Plays Bill Evans”, liderando um trio com Johnson (que tocou com Evans) no baixo e com o baterista Joey Baron. Em 2009 lança “Bossa Nova Stories”, ligando a bossa nova e as suas raízes brasileiras com o piano de jazz, naquele que muitos consideram o melhor disco da sua carreira.
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Por opção do autor, este artigo respeita o AO90
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