O Centro para a História Judia dos EUA, na cidade de Nova York, é o palco, entre 7 de Abril e 9 de Setembro, da exposição “Portugal, A Última Esperança: Os Vistos de Sousa Mendes para a Liberdade”.
A mostra pretende homenagear o cônsul português em Bordéus que salvou milhares de judeus fugidos ao regime nazi, e assinalar os 50 anos da atribuição a Aristides de Sousa Mendes, a título póstumo, do título de Justo entre as Nações pela organização judaica Yad Vashem em 1966. A entrada é gratuita.
Entre as peças que fazem parte da mostra incluem-se passaportes originais com vistos, bonecas infantis, diários de guerra, objectos da família de Sousa Mendes e das famílias que sobreviveram graças à acção do diplomata. Os objectos foram cedidos pela Fundação Sousa Mendes. Por sua vez, o Museu Vilar Formoso- Fronteira da Paz cedeu filmes e fotos inéditos.
Nos primeiros dias da exposição, serão ainda mostrados ao público documentos nunca antes revelados sobre Aristides de Sousa Mendes, que constam das colecções do Instituto para a Investigação Judaica e Centro para a História Judia.
O evento de abertura da exposição contará com a presença de Manuela Bairos, cônsul-geral de Portugal em Nova York e António Baptista Ribeiro, autarca de Almeida, local do futuro museu dedicado a Sousa Mendes. Nessa ocasião, será ainda exibido um filme do êxodo de 1940 de Sousa Mendes através do País. Estarão ainda presentes: Jean-Claude van Itallie, que recebeu vistos do cônsul de Bordéus e Sheila Abranches-Pierce, bisneta de Aristides de Sousa Mendes. O momento musical estará a cargo de Pedro da Silva (guitarra portuguesa).
O estudioso do Holocausto Yehuda Bauer descreveu os actos de heroísmo de Aristides de Sousa Mendes como “talvez a maior acção de salvamento levada a cabo por uma pessoa durante o Holocausto”. As famílias salvas pelo cônsul estabeleceram-se nos EUA, Brasil, Canadá, Israel, Reino Unido e outros países, começaram outras vidas, enquanto que Aristides foi julgado pelo regime de Salazar por “desobediência” sendo punido com severidade.
Entre os que receberam um visto para fugir aos nazis, contam-se Salvador Dalí e os autores de “Curious George” (série de livros infantis), Hans e Margret Rey.