Poemas de Delmar Maia Gonçalves
I
Minha pátria
é o rio dos Bons Sinais
Por lá navego
com a constância das ondas
Foi lá
que bebi sura
dos seios de Augusta
Era doce o néctar
de Artemis.
II
“Zalala”
Pedaço de céu
perdido
no tempo
do esquecimento.
III
“Não entendo…”
Não entendo
a obscuridade plantada
no sentido das coisas
nos dias que se perfilam.Larga tem sido
a sombra obscura
que cobre os dias.Apesar de tudo
ainda amanhece.
IV
“Reino do esquecimento”
Não quero
fazer parte
de um qualquer reino do esquecimento
Quero vincar bem
minha estadia
fazendo mapas na água.
V
“Rua dos Mártires da Pátria”
Em Maputo
fui à Rua
dos Mártires da Pátria
cobrar dinheiro
do Sô Faruk
porque a barriga
deu horas e não aguentei.Fui à Rua
dos Mártires da Pátria
cobrar dinheiro
do Sô Pinto
porque minha mãe
estava enferma
e tinha de ir à Farmácia.Fui à Rua
dos Mártires da Pátria
porque nasci lá
e foi lá
que me fiz homem.
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