Paulo Reis, um velho amigo (que belas petiscadas fizemos com o João Isidro e o Albano Matos), serve aqui aos leitores um thriller bem português em que qualquer coincidência com a realidade é, claro, pura ficção. Um caso raro, no nosso panorama editorial, de domínio de uma narrativa muito bem “cosida” e embalada.
O autor, jornalista sénior, é não só um grande repórter, com muitas histórias em carteira e um bom conhecimento do “Portugal mais profundo”, como revela também uma invulgar capacidade para, com a sua ficção, iluminar a nossa mais obscura realidade.
O quadro em que se desenrola esta “Operação Negócios Privados” é o da corrupção na política e nos media, obedientes a interesses e manobras de grupos económicos muito poderosos e nada escrupulosos… Da operação em curso às ramificações do fundamentalismo islâmico actuantes em Portugal, passando pela “toupeira” a que é preciso dar caça dentro dos próprios Serviços de Segurança e Informação, a personagem central da trama de Paulo Reis – um homem que lê John Le Carré e usa um isqueiro Zippo – passeia o leitor por alguns dos segredos mais escondidos deste Estado em que caiu “o País que (ainda) somos”.
Vou (re)lê-lo mas sem esquecer que, quase sempre, a realidade ultrapassa a ficção… Mesmo a de Paulo Reis.