Assistimos, hoje, a uma ampliação do campo temático da discussão no espaço público, sendo esta alargada a áreas que tocam todos os seres humanos como é o caso dos direitos humanos, da preservação do meio ambiente e das incidências da tecno-ciência na vida quotidiana.
O espaço público reformula-se a vários níveis, não só na temática, mas também no modo de exercício, indo por campos inimagináveis há poucas décadas e integrando vozes e pontos de vista que sempre foram silenciadas.
A comunicação tem um carácter horizontal e multi-direccional, não se limitando os indivíduos a receber, mas também a produzir informação. Agora, o espaço público é, também, Ciberespaço.
Que riscos e potencialidades lhe são inerentes?
Poderemos ver sinais a indicar que o ideal de universalização estaria mais próximo de ser efectivado com uma comunidade virtual alargada à escala planetária, permitindo assim a informação e a acção conjunta.
A Internet parece ser um novo espaço público, assumindo-se como fórum de discussão e de partilha, criando a situação paradoxal que leva, ao limite, o esvaziamento da dicotomia público/privado, mas sendo, também, um bom exemplo de como o espaço público não se pode definir por balizas geográficas/espaciais.
De facto, o público entra totalmente no que parecia mais privado e a privacidade torna-se totalmente pública na estrita medida em que é publicitada.
As redes sociais digitais apresentam-se, assim, numa dupla vertente
Por um lado, permitem e ampliam o exercício da cidadania, pois todos podem participar (petições, apelos, fóruns de discussão, campanhas de solidariedade, recolha de donativos, etc) nas mais variadas situações num espaço que agora se assume como cosmopolita.
Por outro lado, qualquer pessoa pode, não só receber informação, mas colocar à discussão pública temas de seu interesse, os seus pontos de vista, os seus gostos e opções.
Todos, indivíduos e organizações, têm acesso a todos, podendo comentar, levar à acção, influenciar decisões. As novas possibilidades decorrentes das várias vertentes do uso da Internet e as novas formas de comunicação, vincando a intervenção directa e a interactividade, trazem consigo oportunidades e o enriquecimento da cidadania.
Novos caminhos de liberdade surgem ao lado de novas ameaças
A organização e intervenção política tradicional assente em partidos políticos, parece dar lugar a uma cidadania digital, mas em que o real e o virtual são indissociáveis. Veja-se, a título de exemplo, os eventos criados virtualmente: eles permitem juntar realmente as pessoas e em situação de comunicação e de interacção. É conhecida a influência de alguns blogs e de redes como o Facebook, ou seja, os efeitos do mundo virtual no mundo real.
A globalização permite uma inclusão cada vez mais alargada. Contudo, coexiste com novos focos de exclusão que põem em evidência as diferenças mas também salientam o comum, vinculando de novas formas os seres humanos e as sociedades.
Neste sentido, parece-me inegável que, sendo testemunhas e também protagonistas de uma ágora que é agora do tamanho do planeta, é nossa tarefa assumirmos a realização da excelência que passa, hoje, por salvaguardar a possibilidade de um futuro para a humanidade e para a casa comum.
Passa, igualmente, pelo combate às novas formas de exclusão (por exemplo, os milhões de seres humanos que não têm acesso às novas tecnologias da informação ou o seu uso para mais “requintadas” formas de manipulação).