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Quinta-feira, Abril 3, 2025

Semana decisiva ou de decisões?

João Ricardo Costa Filho
João Ricardo Costa Filho
Professor do Mestrado Profissional em Economia da Fundação Getúlio Vargas/EESP e Professor da Faculdade de Economia da FAAP

Esta semana guarda fortes emoções para o mercado financeiro brasileiro. Teremos o parecer do relator que analisa a denúncia feita pela procuradoria-geral da República contra o presidente Michel Temer. Independentemente da posição do relator, a denúncia irá a plenário, mas uma posição favorável à investigação (que afasta o presidente das suas atividades) enfraquece Temer. Lembremos que desde 2014 o Brasil convive com uma depressão econômica, passou por uma eleição extremamente polarizada, um processo de impeachment que machucou ainda mais a economia e o atual enfraquecimento político do presidente que registra uma baixíssima popularidade com a população, mas nem tanto com os deputados.

Nesse imbróglio houve a troca da equipe econômica e a atual, composta por profissionais de primeira linha, trouxe um alicerce tanto para o governo Temer, quanto para a possibilidade de um novo governo antes das eleições de 2018. Nesse possível interregno, os agentes já pressionam os postulantes a substituto de Temer – em especial o atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia – a manter a orientação da política econômica (e os seus executores). O Brasil não pode mais conviver com aventuras fiscais. Temos um Estado grande e pesado para uma economia ainda emergente e enfraquecida.

Claro que apenas a manutenção da equipe econômica não garante por si só a volta do crescimento econômico, mas é uma boa forma de sinalizar. Todavia, como as reformas necessárias para colocar o Brasil de volta a uma trajetória fiscal sustentável estão ou têm que passar pelo Congresso, mesmo a troca de um presidente agora não dá muita segurança sobre a solidez da política fiscal brasileira. Maia pode ser hábil, mas Temer também é o mesmo assim corre o risco de não entregar a faixa presidencial para o candidato eleito no ano que vem.

As articulações que vêm ocorrendo e devem ser reforçadas (ou contidas) com a posição feita pelo relator. Mas, mesmo que haja um desembarque de diversos partidos da base aliada, mesmo que o mercado esteja confortável com Rodrigo Maia na sucessão, mesmo que tenhamos um novo “Dia do Fico”, desta vez protagonizado pelo Ministro da Fazenda e pelos seus comandados, ainda existe i) a necessidade de uma maioria qualificada para afastar o presidente e ii) vontade do Congresso em votar as reformas. O item ii) preocupa.

Seja o novo ou o atual presidente, a janela de oportunidade para votar as reformas está se fechando. Acho que a esta altura ninguém acredita mais em uma reforma da previdência de fato (afinal desde a redemocratização nós temos protelado essa discussão, fazer isso mais uma vez nem é uma surpresa tão grande assim), mas existem outras esferas que poderiam ser atacadas.

Um investidor analisando isso tudo, provavelmente tomará a decisão de esperar para colocar seus recursos na atividade produtiva. Deixa de gastar, deixa de contratar. O trabalhador sente que em meio a essa incerteza o melhor é apertar os cintos e torcer para manter o emprego. E o analista olha esse conjunto de expectativas e se pergunta: de onde poderia vir a recuperação econômica?

Sem mais clareza, fica difícil vislumbrar um crescimento mais forte. Esta semana poderá trazer muitas decisões importantes para o futuro próximo do Brasil, sendo ela decisiva ou não.

O Autor escreve em português do Brasil

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