É difícil escutar em silêncio frases como essa, que demonstram o ódio cego que está dominando os brasileiros em geral. Renato Mocellin, professor e autor de dezenas de livro de História, ouviu um rapaz clamar pela morte de Lula em uma agência bancária de Curitiba (PR).
Reagiu com paciência de mestre e tentou explicar que não se resolviam as coisas dessa forma e que era necessário, caso o ex-presidente seja culpado de algum delito, o respeito ao processo legal. Foi aí que o interlocutor perdeu a calma. “Você é um petista. Seu fdp”, disse o homem, ameaçando agredir o historiador que, a essa altura, também admitiu reagir.
Passada a discussão, na última terça (8), ao sair da aula do cursinho onde trabalha, recebeu um bilhete da secretária relatando que a mesma pessoa, transtornada, havia ido ao local argumentando que precisava “resolver umas pendências”. Mocellin foi à polícia e registrou boletim de ocorrência.
“Eu nem sou petista. Até sou de esquerda, mas não sou filiado a partido nenhum. Acho que o governo cometeu erros sim e que quem for culpado tem que pagar. Mas não é matando as pessoas. Existe lei para isso”, disse o professor ao jornal Gazeta do Povo.
O episódio chegou até a Assembleia Legislativa do Paraná. O presidente da comissão de Direitos Humanos da Assembleia, deputado estadual Tadeu Veneri (PT), disse na tribuna da Casa que apelar para a violência em um episódio como esse é algo injustificável. “Ninguém tem o direito de ameaçar ninguém ainda mais porque divergiu de uma opinião. Divergências não se resolvem no braço. Isso é crime”, disse o parlamentar, que contou com o apoio de colegas críticos a Lula, como o deputado Pedro Lupion (DEM).
*Revista Fórum com informações da Gazeta do Povo
Nota: A autora escreve em português do Brasil