No Twitter, a WikiLeaks acusou o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) de ser uma caricatura de Soros “com sede em Washington DC, financiada pelo soft-power de Soros para esquivar-se ao fisco”, o qual “tem um problema com a WikiLeaks”.
A notícia veiculada também pela Reuters refere que representantes da WikiLeaks terão afirmado à agência que o escândalo da divulgação dos documentos da Mossack Fonseca “foi financiado pelos Estados Unidos”.
A organização transnacional sem fins lucrativos, sediada na Suécia, WikiLeaks, assegura ainda que o relacionamento dos vários líderes mundiais a empresas de offshore, foi coordenado pela Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID), órgão responsável por administrar ajudas civis dos EUA no exterior, bem como pelo plano de fundo Soros.
A WikiLeaks publica ainda uma reprodução da página na internet do Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP), entidade que promove reportagens sobre corrupção e crime organizado e que está por trás do caso “Panama Papers”, com o patrocínio da USAID.
Segundo a WikiLeaks, o OCCRP é apoiado pela fundação do bilionário húngaro-americano George Soros. “Se você censura mais de 99% dos documentos, por definição você só faz 1% de jornalismo”, acrescentou a WikiLeaks, referindo-se à prática dos meios de comunicação envolvidos no “Panama Papers” de divulgar apenas parte dos arquivos.
“Há alguns bons jornalistas no ICIJ, mas não são um modelo de integridade”, adianta a organização criada por Julian Assange.
A coordenadora do projecto para o ICIJ, Marina Walker já reagiu às declarações dos responsáveis da WikiLeaks dadas à Reuters.
“O ICIJ não recebe nenhum tipo de financiamento governamental, nem dos Estados Unidos nem de outro país do mundo. Nem tão pouco recebe doações anónimas ou privadas, todas são públicas”, afirma Marina Walker.
“O OCCRP é um aliado deste projecto como qualquer um dos outros meios de comunicação e, tanto quanto eles estão preocupados, eles é quem têm que dar as suas próprias explicações. Os únicos coordenadores deste projecto tem sido o ICIJ e o jornal alemão Sueddeutsche Zeitung, acrescentou.
A página oficial da WikiLeaks foi lançada em Dezembro de 2006 e, em meados de Novembro de 2007, já continha cerca de 1,2 milhão de documentos. O seu principal editor e porta-voz é o australiano Julian Assange, jornalista e ciber-activista, exilado na Embaixada do Equador em Londres.
O Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação foi fundado em 1997 pelo Center for Public Integrity, pelo jornalista americano Chuck Lewis. A 4 de Abril de 2016, o consórcio compartilhou 11,5 milhões de documentos compilados entre mais de uma centena de jornais que expõem negócios secretos em paraísos fiscais (offshore) realizados por poderosos líderes mundiais e celebridades do desporto e do show business. O “Panamá Papers” são provavelmente “a maior filtração de informação confidencial da história”, segundo a organização.
A investigação da ICIJ deu origem à divulgação de documentos do escritório de advocacia panamiano Mossack Fonseca, especializado em abrir companhias offshore em paraísos fiscais.
Os arquivos foram entregues por uma fonte anónima ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung, que os repassou para o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), ligado ao OCCRP.
O ICIJ distribuiu os documentos a cerca de 400 repórteres de 80 países, que os estão a divulgar de forma faseada.
Perante a acusação da WikiLeaks e a negação categórica do ICIJ, será que os papéis do Panamá servirão para esconder algo maior?
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